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Val d’Isère 2017

Ocorreu em Val d’Isère, França, de 15 a 20 de janeiro o 37o encontro do ABC WIN contando com mais de 350 participantes. Cerca de 15 brasileiros estiveram presentes no evento e dois foram convidados a moderar sessões (Ronie Piske e eu, Michel Frudit). Como de costume, foi abordado um tema específico no ABC, este ano o mesmo foi “região cervico-occipital”. Uma extensa revisão do assunto abordando a anatomia, biologia e clínica (ABC) foi realizada no primeiro dia do evento (15/01). A partir do dia 16/01 foram expostos temas livres agrupados segundo as patologias e incluíram: miscelâneas (FCC, tumores, novos softwares, dose e proteção radiológica, etc), patologias vasculares raqui-medulares, aneurismas intracranianos, malformações e fístulas arteriovenosas, MAV craniofaciais e AVCI (stroke). Durante o primeiro dia de discussões devemos enfatizar duas interessantes aulas durante a sessão miscelânea: uma apresentação sobre proteção radiológica em que um estudo no laboratório demonstrou que o uso de protetor de radiação entre o médico e o detector digital ou intensificador de imagens (saia na altura do abdome do paciente associado ao óculos de proteção radiológica) reduz a radiação na lente do olho esquerdo de 0,21 para 0,04 que podem reduzir a incidência de catarata induzida pela radiação (há apenas dados da cardiologia intervencionista e não há na nossa especialidade).

Outra interessante aula ministrada pelo Prof. René Chapot demonstrou o uso de um stent não destacável – COMANECCI – TIGER como um balão metálico para dar mais sustentação para microcateteres em acessos distais. Com respeito aos aneurismas, houveram apresentações sobre o seguimento a médio prazo de pacientes tratados com dispositivo intra-aneurismal (WEB), com resultados bastante promissores. Outras séries sobre o seguimento de pacientes tratados com as molas Medina também mostraram bons resultados, apesar de não serem ainda disponíveis nos tamanhos maiores. Dispositivos para suporte das molas (Pulserider e Pconus) também foram apresentados. Uma apresentação interessante e inédita foi a utilização de stents para tratamento do vasoespasmo ao invés de balões. Os autores advogaram que a força radial dos stents demonstrou-se capaz de dilatar o vasoespasmo, especialmente em territórios mais distais, onde o uso de balões seria temeroso. No tratamento do vasoespasmo com o stent, a manutenção do fluxo do vaso durante o tratamento é um dos argumentos advogados para o seu uso ao invés do tratamento consagrado com o balão.

E o desenvolvimento do LUMINATE stent, com força radial maior que os demais, para o tratamento específico nos casos do vasoespasmo. Foram apresentadas novas drogas anti-agregantes plaquetárias (Cangrelor e Elinogrel) e a comparação com as já disponíveis. Um estudo interessante, apresentado pelo Dr. Demetrius Lopes, foi a utilização de OCT (tomografia de coerência óptica) em animais nos quais foram implantados stents diversores de fluxo. Tal método permitiu acompanhar a formação de endotélio e eventuais trombos que se formam sobre os stents transitoriamente. Com respeito às MAVs e fístulas, alguns colegas apresentaram seus resultados utilizando novos agentes precipitantes Squid (Balt) e Phil (Microvention). Na sessão de stroke a maior novidade foi a apresentação (por um serviço do Canadá – Dra. Agid R.) do GOLDEN retriever, e a próxima etapa será o inicio de um trial com 60 pacientes na Suécia e Barcelona. Ele tem apenas um tamanho que se adapta a todos os tamanhos dos vasos. Houve também uma aula demonstrando o retorno à prática clínica da punção carotídea direta para o tratamento do AVC.

Além disso houve uma grande discussão sobre quando não fazer o tratamento para os casos de AVC, uma parte do público sendo menos agressivo em virtude de não trazer benefício para alguns casos e uma maior parte defendendo o fato de termos um tratamento tão potente (NNT=4) e isso levaria a tratar o maior número de pacientes possível. Foram também apresentados os resultados de centros que utilizam a aspiração como primeira escolha. O tempo nos agraciou com céu azul e sol, apesar do frio congelante deste ano (-19 a -4o C!). Como de costume, houve um magnífico jantar de confraternização seguido de festa até altas horas da madrugada. Enfim o encontro em Val d’Isère continua sendo um dos principais de nossa especialidade pela diversidade de apresentações livres e pelas discussões, que este ano foram bastante comedidas.

Michel Frudit moderando sessão de Aneurismas durante Congresso Val d’Isere

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