CASO DA SEMANA SBNR – 14 de janeiro de 2022

Autores:
Luara Boson
Luis Quevedo
Luiz Celso Hygino

DASA – RJ.

Paciente feminina, de 39 anos, com queixa de obstrução nasal há 5 meses, apresentando epistaxe frequentemente. Ao exame físico observa-se tumoração avermelhada no interior da cavidade nasal.

DESCRIÇÃO DAS IMAGENS

As imagens de TC mostram uma lesão expansiva com densidade de partes moles, de limites mal definidos, captante de contraste, na fossa nasal direita, estendendo-se desde a fossa olfatória até o meato médio, com pequeno componente na fossa craniana anterior,  determinando erosão óssea das lamelas laterais superiormente, do septo nasal e da parede medial do seio maxilar à direita. Nas imagens de RM podemos observar a lesão com sinal isointenso em T1, levemente heterogêneo em STIR e intenso realce pelo meio de contraste.

ESTESIONEUROBLASTOMA.

  • Tumor maligno raro, também conhecidos como neuroblastomas, que se origina do epitélio olfatório.
  • Geralmente ocorre inicialmente no recesso olfatório superior, apresentando evolução insidiosa através da placa cribriforme para qualquer direção, podendo estender-se à fossa craniana anterior, órbita e inclusive à cavidade nasal contralateral.
  • Foi descrito pela primeira vez por Berger et al. em 1924.
  • Representa cerca de 3% de todas as neoplasias nasais.
  • Acometimento bimodal, predominando em pacientes jovens (2ª década) ou em pacientes da 5ª ou 6ª década de vida.


Apresentação clínica:

  • Rinorreia, obstrução nasal e epistaxe recorrente.
  • Pode evoluir com anosmia.


Aspectos de imagem:

Tomografia computadorizada:

  • Lesão iso ou hiperdensa em relação às partes moles adjacentes, apresentando realce pelo meio de contraste.
  • A TC é importante para avaliar as estruturas ósseas. Erosão e remodelamento ósseo são comuns.


Ressonância Magnética:

  • Geralmente hipointensas em T1 e iso ou hiperintensas em T2.
  • Podem apresentar-se algo heterogêneas, dependendo da presença de áreas de degeneração cística ou hemorragias.
  • Apresenta intenso realce pelo gadolínio.


Principais diagnósticos diferenciais:

  • Carcinoma nasossinusal: geralmente ocorre em pacientes mais velhos e não apresenta cistos peritumorais.
  • Neuroepiteliomas olfatórios.
  • Meningioma ou hemangiopericitoma do sulco olfatório.
  • Linfoma.
  • Rabdomiossarcoma.
  • Metástase de melanoma.


Tratamento:

  • Cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
  • O prognóstico depende do grau de maturação, da extensão e da presença de metástase linfonodal.

Leitura recomendada:

  • Boo H, Hogg JP. Nasal cavity neoplasms: a pictorial review. Curr Prob Diagn Radiol 2010;39:54–61, 10.1067/j.cpradiol.2009.07.001
  • Capelle L, Krawitz H. Esthesioneuroblastoma: A case report of diffuse subdural recurrence and review of recently published studies. J Med Imag Rad Oncol 2008;52:85–90, 10.1111/j.1440-1673.2007.01919.x
  • Naves, Aline de Araújo et al. Esthesioneuroblastoma. Radiologia Brasileira [online]. 2017, v. 50, n. 5 [Acessado 6 Janeiro 2022] , pp. 341-342. https://doi.org/10.1590/0100-3984.2015.0206.
  • NAVAS-CAMPO, Raquel et al. Neuroblastoma olfatorio. Todo lo que el radiólogo debe saber. Rev. argent. radiol. [online]. 2020, vol.84, n.1 [citado 2022-01-06], pp.17-29. http://dx.doi.org/10.1055/s-0040-1702993.

Uma prévia do próximo caso:

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